Espero que você me encontre
Acabei de terminar um livro que mexeu comigo. Contava a história de um casal que se amou de um jeito único na juventude. Encontro de almas e compreensões. Mas a vida acontece e o caminho de cada um se separa. Passam-se quinze anos, e você fica o livro inteiro esperando o reencontro dos dois, que acontece só no final. São quinhentas páginas, e eles só se reencontram no final. O livro não é sobre o encontro, é sobre a vida de cada um acontecendo (e como acontece) no tempo do desencontro. O que eles vão fazer do reencontro parece ser outra história, a gente não sabe o que vai acontecer. O livro acaba.
Não sei, lembrei de nós. E é por isso que escrevo como se você me lesse. Queria te dizer tanta coisa que nunca pude. Nunca nos permitimos. Mas eu gosto de acreditar que você me sente como sinto você. É, eu ainda sinto você, enquanto a vida acontece. Mesmo depois de tudo, mesmo depois de toda mágoa, de toda raiva, de toda desilusão. Eu não consigo evitar te amar. Eu não consigo evitar pensar em você com carinho. Eu simplesmente te sinto. Sempre senti, desde o dia em que você me ensinou a ouvir a água. Eu nunca mais deixei de ser água, e foi você quem me ensinou.
Eu nem sei dizer o que isso significa. O que eu queria que fosse. O que eu queria que fôssemos. Eu só queria poder escrever pra você. Eu só queria poder estar perto de alguma maneira. Tudo aquilo me doeu tanto, mas o que mais doeu foi ter que tirar você da minha vida. Eu sinto saudade de você. Eu gostava de existir perto de você. Nunca foi sobre o amor romântico. Nunca foi sobre as expectativas do que um tinha do outro. Sempre foi sobre estar ali, um com o outro, se conectando em infinitos níveis. Eu sentia que pertencia a algum lugar quando estava com você. E mesmo hoje eu sigo com esse vazio de não pertencer a lugar nenhum. Eu sinto que pertenço contigo. Não a você, mas com você. A gente se encontra em algum não lugar.
Isso passou de romance faz tempo. É muito mais sério que isso. É um nível de amor que eu não sei explicar, e talvez nem saiba sentir. Estou aprendendo. Preciso aprender. Sinto que não tenho como me livrar disso, sinto que não tenho como te desamar. Já queimei infinitas pontes na minha vida. Fui embora todas as vezes que minha dignidade (ou meu orgulho) me mandaram partir. E nunca olhei para trás. Nunca me permiti ruminar relações que terminaram. Meu espírito nostálgico exige portas fechadas. E eu tentei trancar as portas pra você. Mas você atravessa as paredes.
É a terceira vez que tento te deixar passar. E todas as vezes eu entendo (e finjo que não) que eu simplesmente amo você. E amar é isso. É eu não conseguir deixar de te sentir e esperar que você esteja bem todas as vezes que sua energia vem arrancar meu coração do peito e me levar contigo. Mesmo estando decepcionada contigo. Mesmo seguindo minha vida depois de tudo. Eu só preciso aprender a viver com o fato de que amo você.
Eu queria que você me encontrasse. Que procurasse por mim, como procurava pelo blog da sua ex ao meu lado na cama. Não me ressinto, na verdade lembro com carinho do jeito tão cúmplice com que comecei a te amar. Queria que fosse sempre assim, queria não ter perdido aquela inocência e seguir pra sempre acreditando que era apenas amizade e tesão. Queria não ser obrigada a admitir o amor. E é muito triste a forma com que tratamos esse amor. Porque eu sei que você fez exatamente o mesmo. Sentiu o mesmo medo que eu. Eu tinha muito medo de te amar de verdade e isso estragar a relação que tínhamos. E foi exatamente isso que aconteceu. E talvez eu também tenha culpa por ter sufocado tanto meu amor por você.
Eu sempre te amei. E você se questiona por quê. Também me questiono, mas não há resposta. Apenas sinto, mesmo com todos os seus vacilos e defeitos. Eu apenas te amo. E te compreendo. Mesmo na sua ira, no seu orgulho. Mesmo sabendo que às vezes você é um grandíssimo filho da puta. Eu sinto raiva, recalque, mas te amo. É maior que tudo isso, você é familiar pra mim. Sinto como se você fosse meu amigo de infância. E eu não tive amigos na infância. Era uma menina solitária que gostava de se esconder pra ler em paz. Mas é como se você estivesse lá desde sempre, se escondendo junto comigo. Solitário junto comigo. Compreendendo todas essas coisas que eu nunca soube explicar. Essas coisas que eu sempre senti quando a gente sentava junto pra conversar.
Eu sinto muito a sua falta. E eu sou dura demais comigo para evitar admitir o máximo possível. Mas eu preciso colocar isso pra fora de mim. Endureci demais. Me defendi demais do que sinto por você. E isso me tornou outra pessoa. Eu não quero me ferir nos espinhos que vesti pra me defender de você. Eu só quero me livrar deles. E, apesar de tudo, o que eu mais queria agora era poder abraçar você.
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