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Dengo Maior

Dia desses, quase que por acidente, ouvi uma música do Luiz Gonzaga que não conhecia. Luiz Gonzaga, por si só, já me lembra você, mas a letra da música me tomou de um jeito... Fala sobre um amor tão grande, que inspira tantas coisas boas, que só quer guardar de si coisas boas. Fala sobre o perdão ou sobre não haver o que perdoar diante de um amor que, na verdade, só traz coisas boas. Depois desse dia, essa música ficou vibrando na minha mente, ecoando você, me fazendo perceber que é exatamente o que sinto: "Nunca houve dengo igual / Se já houve, eu não sei / Como então te querer mal / Se entre nós o bem foi rei". E, por mais que eu tenha sofrido muito por conta de nós, desse sentimento todo que eu não sei explicar nem parar de sentir, ainda assim, quando penso em você, lembro desse dengo maior. É engraçado, você é uma pessoa para quem eu não cheguei a me entregar por inteiro, a viver por inteiro uma paixão. Por mais amor que eu tenha, por mais carinho, minha paixão, minha int...

Os silêncios

 Não consegui escrever mais aqui desde que terminei com o Ficante. Ele me inquieta. Ele me lembra você. Já faz mais de mês que não nos vemos. Mas há uma tensão entre nós. Ele me procura, eu finjo não ceder. A verdade é que ele me resgatou de um lugar gelado, eu sempre tô sozinha tentando pertencer a algum lugar. Eu aprendi a ser sozinha. Eu gosto de ser feliz, não permito que minha solidão me impeça. Aprendi a lidar com a dor. Conviver com ela. Mas é gelado. O Ficante apareceu com um fogo infinito. E me aqueceu. Eu sempre desconfiei. Desde o primeiro instante. Arisca que sou. Um dia minha melhor amiga me falou que pareço um bicho que foi muito maltratado e morde a mão de quem tenta chegar perto, mesmo que seja pra dar carinho. E eu acho que ela conhece minha alma mais do que ninguém, porque é exatamente assim que me sinto. Eu já fui muito carinhosa, aquele gatinho que pula no colo de qualquer um que oferece um carinho. E já fui maltratada, me fizeram maldades, aprendi a desconfiar ...

É seu aniversário

 É seu aniversário. Infelizmente isso não é uma lembrança feliz. O meu também não foi. Ano passado tivemos aquela conversa justamente porque você desapareceu na semana do meu aniversário. Pra mim foi o fim. Você sabia que eu tinha ficado magoada e foi conversar comigo. Foi a conversa mais dolorosa que tivemos. E até hoje não te entendo. E até hoje aquele dia me assombra. Eu só queria colocar uma pedra, refrear essa nossa história de não chegar a lugar nenhum. Eu precisava me afastar, mesmo do amigo. Você pediu para que eu não me afastasse, e é isso que, pra mim, foi impossível de perdoar. Eu precisava me afastar pra saber lidar com a sua escolha de não ficar comigo, você pediu pra que eu não fazer isso. Só para que você pudesse fazê-lo. Você pediu pra eu ficar só pra eu te assistir partir – mais uma vez. Não sei se você se lembra daquele dia. Do que me disse aquele dia. Pra mim foi tudo cortante. Você falou que sumiu na semana do meu aniversário porque passou dias cheirando cocaína...

Quem dera fosse mais simples...

 De repente escrever aqui me fez voltar no tempo. Como se eu tivesse 15 anos de novo. Quando a internet ainda não tinha sido devorada pelas redes sociais. Quando a gente ainda colocava música no subtítulo do MSN. Eram tempos mais simples. Ou não. Eu tentei me matar aos 15 anos. Tomei veneno. Eu sequer passei mal, ninguém viu acontecer. Dormi como se fosse morrer e acordei no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. Naquela época eu não amava viver, eu odiava. Eu sempre senti que era inadequada, que não cabia. Acho que desde lá o que me doía era a solidão. E sabe que isso já era assim desde antes do trauma? Foi desde criancinha, eu nunca cabia, mas até que gostava de ficar sozinha. Eu me escondia, era minha brincadeira favorita. Vivia como uma cobra embaixo de alguma pedra. Sempre me escondia, mas sempre senti solidão. É forte quando te digo que você foi o amigo de infância que eu não tive. Esse é o mais perto que consigo de descrever o que sinto por você. É como se você coubes...

O que é assustador?

Ontem o ficante me disse que sou uma mulher assustadora. Eu sei que sou, mas não entendo direito o motivo. Eu sei que tenho algo de dura, mas também sei que sou doce e carinhosa, sou leal e parceira, só sei amar assim. "É porque você é forte", ele disse, "sua força assusta os homens!". Acho isso injusto, eu não escolhi ser forte, eu precisei ser. E esse medo que você sempre teve de mim? Será por que eu sou forte? Aí é muito mais injusto, grande parte dessa dureza que tenho hoje vem justamente do amor que tive que sufocar entre nós. Você sabe do que estou falando, você também é cúmplice, também sufocou o seu. Era como sufocar uma fera, uma quimera. Foi preciso muita força bruta. E quem ficou sem ar foi eu (fomos nós?), a fera segue viva. Então, sim, agora tenho um ficante. É a primeira vez que experimento tentar amar alguém depois que eu e você rompemos. Não foi um término, nunca começamos nada. Foi uma ruptura, o que é muito mais difícil de superar. Foi difícil deix...

Espero que você me encontre

 Acabei de terminar um livro que mexeu comigo. Contava a história de um casal que se amou de um jeito único na juventude. Encontro de almas e compreensões. Mas a vida acontece e o caminho de cada um se separa. Passam-se quinze anos, e você fica o livro inteiro esperando o reencontro dos dois, que acontece só no final. São quinhentas páginas, e eles só se reencontram no final. O livro não é sobre o encontro, é sobre a vida de cada um acontecendo (e como acontece) no tempo do desencontro. O que eles vão fazer do reencontro parece ser outra história, a gente não sabe o que vai acontecer. O livro acaba. Não sei, lembrei de nós. E é por isso que escrevo como se você me lesse. Queria te dizer tanta coisa que nunca pude. Nunca nos permitimos. Mas eu gosto de acreditar que você me sente como sinto você. É, eu ainda sinto você, enquanto a vida acontece. Mesmo depois de tudo, mesmo depois de toda mágoa, de toda raiva, de toda desilusão. Eu não consigo evitar te amar. Eu não consigo evitar pe...